Nelly Korda não conseguiu conquistar seu terceiro major consecutivo do ano no KPMG Women's PGA Championship, mas a americana número 1 do mundo já tem nova oportunidade à frente: a partir desta quinta-feira, 9 de julho, ela disputa o LPGA Amundi Evian Championship na França, com a chance de entrar para a história do golfe feminino. Uma vitória em Évian-les-Bains a tornaria apenas a quinta mulher a vencer três majors em um único ano calendário - e, de quebra, completaria o career grand slam e garantiria sua vaga no LPGA Hall of Fame aos 27 anos de idade.
A última jogadora a alcançar a marca de três majors em uma temporada foi a sul-coreana Inbee Park, em 2013. Antes dela, a americana Babe Zaharias foi a pioneira, em 1950. São feitos que atravessam décadas e definem gerações no esporte - e é nesse contexto que Korda se insere em 2026. O universo esportivo vive um momento rico em narrativas de atletas perseguindo marcas históricas em diferentes modalidades; assim como os torcedores de futebol acompanham de perto as movimentações do mercado de transferências - e, por falar nisso, você pode confira o interesse do Arsenal em Morgan Rogers para mais um exemplo de como o esporte de alto nível vive de grandes apostas e ambições - Korda também joga tudo nesta semana na beira do Lago Léman.
A campeã olímpica de Tóquio 2020 chegou ao Evian Resort Golf Club com 25 pontos no sistema de qualificação do LPGA Hall of Fame - e precisa de apenas dois para cruzar o limiar dos 27 exigidos. Cada major vale dois pontos no critério. Korda, no entanto, prefere não saber da contagem. "Algumas pessoas podem achar que é muita pressão", disse ela na coletiva de quarta-feira. "Estou muito orgulhosa de mim mesma por estar nessa posição e ver isso sendo discutido." É uma postura que diz muito sobre a maturidade de uma atleta que, na temporada atual, já venceu o Chevron Championship em abril e o U.S. Women's Open em junho - seus terceiro e quarto títulos de major na carreira. Tanto o career grand slam quanto a classificação para o Hall of Fame não são alcançados por uma americana desde que Juli Inkster fez o mesmo, em 1999.
O tropeço no Women's PGA e a ressaca física de três majors em seis semanas
O caminho até Évian não foi isento de turbulências. No Women's PGA Championship, disputado em Minnesota, o jogo curto de Korda a traiu e ela terminou empatada em oitavo lugar - longe do patamar de excelência que vinha demonstrando. A vitória ficou com a sul-coreana Haeran Ryu, que superou um déficit de ao menos dez tacadas na primeira rodada para conquistar seu primeiro major, feito que não acontecia desde Carol Mann, em 1964. Ryu, aliás, estará no mesmo grupo de Korda na abertura do torneio desta quinta-feira, ao lado da inglesa Lottie Woad, com saída marcada para as 7h36 no horário de Brasília.
A concentração de três majors em seis semanas pesa sobre todo o campo, mas Korda foi direta ao falar sobre gestão de carga. "O calendário com três majors em pouco tempo é muito exigente mental e fisicamente", admitiu. "Há uma semana e meia estávamos em Minnesota e agora estamos na França, viajando por todo lado. Garantir que você está priorizando o corpo e o descanso é fundamental. Neste ponto da temporada, descansar às vezes é mais benéfico do que treinar." É uma leitura fria e profissional que separa atletas de elite dos demais.
O campo mais hostil da carreira - e um prêmio de US$ 9,1 milhões em jogo
O Evian Resort Golf Club representa, historicamente, o pior ambiente de Korda entre os quatro campos de major do calendário feminino. Seu melhor resultado no torneio foi um oitavo lugar em 2022, seguido de um nono em 2023. No ano passado, terminou apenas na 43ª posição - números que contrastam com sua dominância em outros eventos do circuito. Isso torna a semana ainda mais desafiadora: a americana precisa vencer justamente onde menos rendeu.
O campo de 132 jogadoras reúne dez ex-campeãs do torneio, entre elas a atual detentora do título, Grace Kim, da Austrália. Vinte e três das 25 primeiras do ranking mundial Rolex estão presentes, disputando uma bolsa total de US$ 9,1 milhões. A campeã de Évian levará para casa uma fatia considerável desse montante - mas, para Korda, o que está em jogo vai muito além do dinheiro. A história, o Hall of Fame e um lugar entre as maiores do golfe feminino de todos os tempos estão a uma semana de jogo de distância.